Na manhã desta sexta-feira (6), a Câmara Municipal de Bauru sediou uma Audiência Pública para debater a segurança dos prédios públicos municipais e as medidas adotadas pela Prefeitura para proteger equipamentos e estruturas utilizados no atendimento à população. A reunião foi convocada pela vereadora Estela Almagro (PT).
O encontro ocorreu no Plenário “Benedito Moreira Pinto” e reuniu representantes do Poder Executivo, vereadores e autoridades da área de segurança pública. Entre os presentes estiveram os vereadores (PDT) e (PL), presidente da recém-criada Comissão de Segurança Pública da Câmara.
O SINSERM participou da audiência por meio do diretor executivo Gabriel Placce, que acompanhou os debates em nome da entidade e dos servidores públicos municipais.
Ao abrir a audiência, a vereadora Estela Almagro apresentou um levantamento dos episódios recentes de furtos, invasões e atos de vandalismo registrados em prédios sob responsabilidade da Prefeitura, especialmente unidades da Educação e da Saúde.
Segundo a parlamentar, os casos vêm se intensificando desde 2023, o que evidencia, em sua avaliação, falhas na estratégia adotada pela Administração Municipal para proteger o patrimônio público. Diante desse cenário, a audiência buscou compreender quais medidas estão em planejamento e se há capacidade financeira para executá-las ainda neste ano.
Um dos temas centrais do debate foi a contratação de um sistema de monitoramento eletrônico para os prédios municipais. O processo licitatório, estimado em cerca de R$ 40 milhões, chegou a ser iniciado, mas foi suspenso pela prefeita Suéllen Rosim em meados de 2025 sob a justificativa de restrições orçamentárias.
Durante a audiência, o secretário-adjunto de Governo, Elton Luiz Gobbi, informou que a administração realiza atualmente uma nova pesquisa de preços para atualizar os valores do projeto. Após essa etapa, o processo deverá ser encaminhado à Secretaria Municipal da Fazenda para avaliação da viabilidade financeira.
O chefe de gabinete da prefeita, Leonardo Marcari, afirmou que a intenção do governo municipal é relançar o certame em 2026, mas não apresentou qualquer cronograma ou previsão concreta para a implantação do sistema.
Outro ponto discutido foi a atuação da Coordenadoria de Políticas Públicas de Segurança e Monitoramento da Prefeitura, atualmente comandada pelo coronel da reserva Flávio Jun Kitazume.
Questionado durante a audiência, Kitazume informou que está em elaboração um Plano Municipal de Segurança Pública, bem como um projeto de estruturação da Guarda Municipal, que teria entre suas atribuições a vigilância dos prédios públicos.
No entanto, ao ser indagado sobre prazos e etapas de implementação dessas propostas, o coordenador afirmou que ainda não há definições concretas sobre quando as medidas poderão sair do papel.
O vereador Cabo Helinho defendeu a criação de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública, a instituição de um fundo específico para financiar ações da área e a retomada das atividades do Conselho Municipal de Segurança Pública (Comsebru). Ainda assim, nenhuma dessas iniciativas possui previsão de implementação até o momento.
Diante da ausência de respostas mais objetivas por parte da Administração Municipal, a vereadora Estela Almagro solicitou que a prefeita Suéllen Rosim realize uma reunião específica com a Comissão de Segurança Pública da Câmara para discutir medidas emergenciais, principalmente para atender as escolas municipais, que têm sido alvo recorrente de furtos e depredações.
Antes do encerramento da audiência, o chefe de gabinete Leonardo Marcari assumiu o compromisso de articular esse encontro entre o Executivo e os parlamentares.
A discussão reforça a necessidade de planejamento efetivo e investimento em políticas de segurança que protejam não apenas o patrimônio público, mas também os servidores e a população que utilizam diariamente os serviços municipais.