(Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Bauru)
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (SINSERM) esteve presente na tarde desta terça-feira (24) na Audiência Pública realizada pela Câmara Municipal para a prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025. A entidade foi representada pelos diretores Gabriel Placce e Sérgio Ibelli, que acompanharam a exposição dos dados fiscais e orçamentários da Administração Municipal.
O encontro marcou o início de uma série de audiências e revelou a situação financeira do município às vésperas de um ano que, segundo o próprio governo, tende a ser mais restritivo.
Os números apresentados pela Secretaria Municipal da Fazenda indicam que a Receita Corrente Líquida alcançou aproximadamente R$ 1,9 bilhão no período analisado, com crescimento superior a 7% em relação ao ano anterior. O gasto com pessoal ficou em 44,11% da receita, abaixo dos limites legais, mas com tendência de elevação ao longo dos últimos anos. Esses dados demonstram que há espaço dentro da legislação para políticas de valorização dos servidores, ao mesmo tempo em que a Administração sinaliza dificuldades futuras.
Outro ponto que chama atenção é o saldo da dívida municipal, que chegou a R$ 127,6 milhões ao final de 2025. Durante a apresentação, a própria Secretaria da Fazenda admitiu que 2026 não deverá contar com receitas extraordinárias verificadas em anos anteriores, indicando a possibilidade de maior pressão sobre o orçamento.
Na área de infraestrutura, os dados mostram redução significativa dos investimentos, com queda nas despesas destinadas a obras e melhorias urbanas, enquanto os gastos com pessoal cresceram.
Já a Secretaria de Meio Ambiente registrou aumento de despesas e confirmou a intenção de ampliar o quadro técnico, inclusive para repor aposentadorias. Também foi reafirmada a cobrança integral da nova taxa de lixo a partir da concessão do serviço, tema que gera forte preocupação social.
A Secretaria de Negócios Jurídicos apresentou aumento expressivo de despesas em razão de novas contratações, embora não execute políticas públicas diretas à população.
A Secretaria de Governo, por sua vez, ainda consolida sua estrutura administrativa.
A situação da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) também esteve em pauta. Embora a receita tenha crescido e o déficit quadrimestral tenha diminuído em relação ao ano anterior, o fundo previdenciário continua operando negativo e depende de aportes para amortização. A própria gestão reconheceu que o déficit financeiro mensal permanece como problema estrutural e crônico.
O conjunto das informações configura um cenário que exige transparência e planejamento realista, sobretudo porque qualquer ajuste fiscal costuma recair sobre os trabalhadores e sobre a qualidade dos serviços públicos.
O sindicato continuará acompanhando atentamente todas as audiências de prestação de contas e demais debates orçamentários, defendendo que a valorização dos servidores e a sustentabilidade da previdência municipal sejam tratadas como prioridades absolutas.
A participação direta do SINSERM nesses espaços é fundamental para garantir fiscalização qualificada e impedir que decisões estratégicas sejam tomadas sem considerar os impactos sobre quem sustenta o funcionamento da máquina pública e atende diariamente a população bauruense.