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SINSERM retoma diálogo com pautas sociais e promove encontro de mulheres em celebração ao 8 de Março

Depois de anos em que a entidade permaneceu distante de debates sociais mais amplos, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (SINSERM) iniciou uma nova etapa de sua atuação ao promover, neste sábado (7), o evento “SINSERM POR ELAS”, em celebração ao Dia Internacional das Mulheres. A atividade reuniu servidoras públicas, trabalhadoras, artistas, ativistas e moradoras da cidade em um dia inteiro de programação cultural, política e comunitária na sede do sindicato.

A iniciativa marca um movimento de reaproximação do sindicato com pautas sociais que atravessam a realidade das trabalhadoras, especialmente das mulheres, que representam parcela significativa da força de trabalho no serviço público e na sociedade brasileira.

O 8 de março, historicamente associado às lutas por direitos trabalhistas, igualdade política e dignidade para as mulheres, segue sendo uma data que expõe contradições profundas. No Brasil, mulheres continuam enfrentando desigualdades salariais, maior sobrecarga de trabalho doméstico e índices alarmantes de violência de gênero. Dados recentes apontam que o país registra um feminicídio a cada poucas horas, além de milhares de casos de violência doméstica e outras formas de agressão que atingem mulheres de diferentes idades, classes e territórios.

No mundo do trabalho, as desigualdades também persistem. Mesmo com avanços legais, as mulheres ainda recebem, em média, salários inferiores aos dos homens em funções equivalentes, ocupam menos cargos de liderança e acumulam jornadas duplas ou triplas entre trabalho remunerado, cuidados familiares e responsabilidades domésticas.

Em cidades do interior como Bauru, esses desafios assumem características próprias, envolvendo questões como precarização do trabalho, vulnerabilidades sociais, violência urbana e desigualdades territoriais. No serviço público municipal, as servidoras desempenham papel fundamental na garantia de políticas públicas essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, assistência social e atendimento direto à população.

Foi nesse contexto que o SINSERM organizou o SINSERM POR ELAS, um evento pensado como espaço de encontro, escuta e valorização das mulheres.

Realizado das 9h às 20h, na sede do sindicato, o encontro reuniu diversas atividades ao longo do dia. A programação começou com a abertura oficial e uma aula de ioga, voltada ao cuidado e ao bem-estar das participantes. Em seguida, a agenda cultural incluiu leitura de poesias e uma performance artística de Pri Lellis, que trouxe reflexões sobre a experiência feminina por meio da arte.

Um dos momentos mais emocionantes do evento foi o rodão de conversa “Feminicídio e outras violências que permeiam a existência feminina”, que reuniu convidadas de diferentes áreas para discutir os múltiplos aspectos da violência de gênero e o crescimento dos casos de feminicídio no país.

Participaram do debate a cantora Jô Moura, a advogada Dani Rodrigueiro, a presidenta da Associação de Mulheridades, Transexuais e Travestis (AMTT), Sophia Rivera, representantes do coletivo Vozes da Periferia, formado por mães periféricas que perderam seus filhos para a violência policial, além da ativista Andrezza Marques e da jornalista Camila.

As convidadas abordaram diferentes perspectivas da violência que atravessa a vida das mulheres — desde a violência doméstica e institucional até as desigualdades estruturais que marcam a realidade feminina.

Durante todo o evento, a sede do sindicato também recebeu uma feira de economia criativa, reunindo artesãs, artistas e empreendedoras locais. A iniciativa buscou valorizar o trabalho feminino e incentivar pequenos empreendimentos liderados por mulheres, contribuindo para o fortalecimento da economia local.

A programação cultural seguiu ao longo da tarde com o show da cantora Jô Moura, que reuniu o público em um momento de celebração e convivência. O encerramento ficou por conta do Karaokê das Divas, uma atividade descontraída em que as participantes cantaram músicas de cantoras e compositoras mulheres, fechando o encontro em clima de confraternização.

Ao promover o SINSERM POR ELAS, a nova gestão do sindicato sinaliza uma compreensão ampliada do papel da entidade. Para além da defesa de direitos trabalhistas e das pautas específicas da categoria, o sindicato também se posiciona como espaço de debate e construção coletiva sobre temas que impactam diretamente a vida das trabalhadoras e da sociedade.

A retomada desse diálogo com pautas sociais reflete o entendimento de que as lutas sindicais e as lutas por direitos das mulheres estão profundamente conectadas. Em um país onde as desigualdades de gênero seguem estruturando relações de trabalho e de poder, iniciativas como essa reforçam a importância de ampliar os espaços de escuta, reflexão e mobilização.

Ao abrir suas portas para um dia inteiro de atividades voltadas às mulheres, o SINSERM reafirma que o 8 de março não é apenas uma data simbólica, mas um chamado permanente à organização, à solidariedade e à luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

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